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Categoria: Interviews 2020 - Portuguese
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“Você não precisa ir a um mosteiro para encontrar paz”

Leia o artigo completo em espanhol  aqui

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O palestrante e escritor na entrevista abaixo está visitando a Espanha para apresentar seu novo livro “Hear Yourself” (Ouça a Si Mesmo), que mergulha na busca pela paz neste mundo ruidoso.

Prem Rawat (Índia,1957) dedicou sua vida à Paz, em letras maiúsculas. Essa declaração de peso pode quase ser esmagadora. No entanto, este escritor e palestrante, que desde os oito anos transmite uma mensagem clara e convincente, dedicou toda a sua carreira a encontrar paz em um lugar que às vezes esquecemos de olhar: dentro de nós mesmos.

Prem aprendeu sobre paz com seu pai, que compartilhava sua mensagem com todos os interessados. A mensagem fundamental era que “a paz, que passamos a vida  procurando, não nos espera em outro lugar, mas já está dentro de nós”. Após a morte de seu pai, Prem Rawat viu claramente que o propósito de sua vida era continuar o legado do pai, e é isso que ele faz desde os nove anos.

Na tenra idade de treze anos, ele falou sobre o poder de nos conhecermos no palco principal do agora famoso Festival de Música de Glastonbury. Foi quando ele viajou pela primeira vez aos Estados Unidos, pensando que ficaria lá apenas por alguns meses, mas nunca voltou ao seu lar

na Índia. Em vez disso, ele tem

dedicado toda a sua carreira a viajar pelo mundo para falar sobre a paz. Prem Rawat é muito claro sobre o fato de que “encontrar paz é o que precisamos para ser felizes, para viver em harmonia e sobreviver na sociedade atual”, uma sociedade e um ambiente movidos por um ritmo muito rápido que nos sobrecarrega e não nos dá a chance de descobrir quem realmente somos.

Atualmente o “Embaixador da Paz” publica o livro “Hear yourself” (Aguilar), um livro que explora a necessidade de olhar para dentro. Nós o encontramos durante a  divulgação do  livro na Espanha, focado no objetivo de apresentar um livro que visa “ajudar a compreender a nós mesmos” e, assim, aprender a viver na sociedade atual “cheia de ruídos, que não nos permite ouvir a nós mesmos”.

O que torna mais difícil ouvir a si mesmo, o barulho de fora ou o barulho de dentro?

Tudo dificulta . O pior tipo de ruído é quando pegamos o ruído externo e o transformamos em nosso próprio ruído interno. Isso dificulta ainda mais ouvir a nós mesmos. No final das contas, o mais importante é nos ouvir

Todos  têm paz dentro de si?

Sim, todos temos paz dentro, ela sempre esteve lá. Sócrates disse “Conheça a si mesmo” e disse isso porque há algo que devemos procurar e está dentro de nós. É incrível, mas a paz está dentro e devemos procurá-la.

Mesmo pessoas com conflitos internos, pessoas que não fazem coisas boas...?

Desenvolvemos um programa intitulado Programa de Educação para a Paz nas prisões. E algumas pessoas nas prisões estão lá para o resto da vida, nunca vão sair. Porém, quando falo com elas, elas descobrem que a paz também está dentro delas, e que podem seguir em frente.

E onde devemos começar a busca?

Em nós mesmos. Passamos a vida procurando paz fora – buscamos nos livros, nas montanhas, nos templos, até em outras pessoas ... Porém, quando voltamos a atenção para nós mesmos, quando pegamos o espelho e olhamos

dentro de nós , damos  o primeiro passo na busca da paz.

Para viver felizes, temos que aceitar a morte?

Você tem que aceitar a vida. Existem dois muros: o primeiro é o nascimento e o outro é a morte. O importante não é se preocupar com a morte ou tentar descobrir quando vamos morrer, mas focar na vida. Sinta esse momento em sua vida e concentre-se nele, pois nosso tempo é limitado. Assim, aceitando a vida, alcançamos calma e felicidade.

Somos gratos o suficiente por estarmos vivos?

Não! E é por isso que enfatizo tanto essa ideia em meu livro. É essencial sentir gratidão por tudo o que temos na vida.

Então, como podemos começar a ser gratos pela vida?

Temos que nos abrir para nós mesmos. Estamos abertos a outras pessoas. Quando nosso amigo está com problemas, dizemos a ele que não se preocupe, ficamos ansiosos para dar conselhos. Mas quando estamos com problemas, o que dizemos a nós mesmos? “Ah! Isso é terrível, você é horrível”. E se disséssemos isso a um amigo, ele ficaria chateado. Então, o que temos que fazer é começar a nos aceitar, embora isso seja difícil para muitas pessoas.

Para nos concentrarmos em nós mesmos, precisamos nos separar do mundo que nos rodeia?

Tem gente que acredita nisso, mas não é preciso se separar do mundo e, de fato, não é possível. Tudo se desenvolve neste plano em que vivemos: temos que trabalhar, comer – somos seres sociais e precisamos deste mundo. No entanto, o que temos que fazer é buscar a paz interna em tudo isso. Não é necessário ir a um mosteiro ou ser monge, devemos simplesmente buscar a paz que temos dentro de nós.

Precisamos ser cautelosos na vida ou isso é contraproducente?

A oportunidade nos é dada a cada respiração, o tempo todo, mas não prestamos atenção. Acordamos de manhã, começamos a ler o jornal e vemos as manchetes. No entanto, nenhuma dessas manchetes é a mais importante: “Estamos vivos agora”. É importante aceitar essa manchete, porque estamos vivos agora e temos essa oportunidade agora.

Você fala muito sobre o ruído do mundo… Como devemos nos relacionar com a tecnologia?

Neste exato momento, não gerenciamos a tecnologia, ela nos move, ela nos oprime. Como seres humanos, agora é importante nos concentrarmos em dar sentido a tudo isso e assumir o controle de nossas vidas, não permitindo que o Facebook ou o Twitter nos controlem. Só assim vamos vencer, porque esses esses aplicativos podem direcionar nossa vida.

Há uma pequena subseção dentro do livro que diz “Aprendendo a sentir”. Como aprendemos a sentir?

Quando você não é livre, não está no comando de sua vida e não consegue sentir nada. Outras pessoas também vão lhe dizer o que sentir e como. Se você é livre, pode começar a sentir. “Liberdade” é uma palavra que agrada a todos, independentemente do país. E por quê? Do que somos escravos? Nada óbvio, mas somos, somos escravos da mente e muitas vezes ela não nos deixa seguir adiante.

Há uma citação no livro que diz: “Não devemos viver no ontem nem no amanhã”. A projeção para o futuro é necessária? Como encontrar o equilíbrio entre viver no presente, sem perder de vista o futuro?

Se não aceitarmos o futuro, não seremos capazes de aceitar o passado e, no final, estaremos na terra de ninguém. Só podemos entender o presente. Devemos estar cientes do agora. Porque quando estamos no presente, criamos o passado e podemos, de alguma forma, prever o futuro. Quando agimos inconscientemente, cometemos erros que afetam nosso passado e se refletem em nosso futuro. No entanto, se entendermos o presente, isso nos definirá como seres humanos e não definirá nosso futuro, nem nosso passado. O que fazemos agora é o que realmente importa.